Artigo norte-americano avalia a aceitabilidade da PrEP injetável em comparação com sua versão oral entre HSHs

Em 2015, quase 40.000 pessoas foram diagnosticadas com HIV nos Estados Unidos. Deste número, quase 70% de novas infecções aconteceu entre HSHs. Apesar deste dado, nota-se que a própria classificação de HSHs não expressa a desigualdade interna ao próprio grupo: negros representam 12% da população total norte-americana, mas contabilizam 40% dos novos casos de HIV dentro dos HSHs. Além disso, enquanto os casos entre HSHs brancos caíram cerca de 18% na última década, o número subiu 20% entre norte-americanos negros e hispânicos.

Se vista pela distribuição entre faixas etárias, a desigualdade na dinâmica da epidemia também é notável: adolescentes e jovens adultos (entre 13-29 anos) contam com cerca de 40% de novas infecções de HIV. Jovens negros HSHs são, portanto, o grupo com maior taxa de infecções nos Estados Unidos. Tal número ocorre em oposição à modesta difusão da PrEP neste grupo, que tem sido maior em HSHs brancos.

Fatores como a falta de acesso a planos de saúde que possam custear a PrEP e dificuldade de se adaptar à rotina da PrEP oral estão entre as causas dessa disparidade. Partindo deste dado, o artigo HSHs em risco de contrair HIV expressam maior interesse e preferência pela PrEP injetável antirretroviral comparado à PrEP oral[1] investiga a aceitabilidade que a PrEP injetável teria no contexto dos Estados Unidos.

A PrEP por via oral, atualmente a mais difundida, necessita, apesar de diminuir as chances de infecção em 90%, de uma alta adesão ao medicamento, o que nem sempre acontece. Quanto à opção injetável, já que sua dose é aplicada a cada 2 meses, tal método poderia evitar a interrupção da PrEP para aqueles que necessitam dela, mas têm dificuldade em administrar o uso das pílulas.

O artigo partiu de um estudo que utilizou um questionário online para maiores de 18 anos. Além de perguntar se os voluntários já tinham ouvido falar na PrEP, o questionário também oferecia informações sobre a PrEP injetável. Características sociodemográficas (idade, raça/etnia, status do plano de saúde, educação e emprego) também foram traçadas. O perfil de atividade sexual foi avaliado a partir do número de parceiros sexuais nos 3 meses anteriores e da quantidade de relações sexuais sem camisinha.

De 4638 candidatos, 73% expressaram interesse na PrEP injetável e 47% disseram preferi-la à administração oral (ao passo que 17% preferem a pílula e 36% se mostraram indecisos). Aqueles que demonstraram desinteresse pela PrEP alegaram como motivos o receio quanto aos efeitos colaterais, desconforto quanto à utilização de agulhas e ao fato de ter uma substância estranha injetada no corpo.

Os resultados do questionário sugerem que justamente os grupos com maior risco de infecção nos Estados Unidos – negros e jovens – tendem a preferir a PrEP injetável em relação à oral. Tais dados oferecem oportunidade de se elaborar estratégias de prevenção direcionadas a este grupo, caso a questão do acesso também possa ser ampliada.

 

Link para o abstract: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29119472

Fonte da imagem: https://www.guavalamphouston.com/give-prep-a-shot

 

[1] Título original: MSM at Highest Risk for HIV Acquisition Express Greatest Interest and Preference for Injectable Antiretroviral PrEP Compared to Daily, Oral Medication.