Artigo discute o uso de PrEP entre casais

Entre 35 e 68% de novas infecções de HIV entre homens gays, bissexuais e homens que fazem sexo com homens (HSHs) ocorrem através do parceiro principal. Dado este elevado número, voltar a atenção para formas como casais administram a saúde sexual parece ser um fator estratégico para adotar medidas de prevenção contra o HIV e outras DSTs. Sabe-se que a influência de parceiros principais na adoção ou não de métodos preventivos é decisiva; tópicos deste tipo são constantemente colocados em pauta entre casais. Partindo desde fato, o artigo Devo convencer meu parceiro a usar a PrEP? O papel de fatores pessoais e relacionais no controle social relacionado à PrEP entre homens gays e bissexuais[1] busca iluminar de que maneira parceiros em uma relação fixa podem influir na decisão de se iniciar a PrEP. O que se examinou mais especificamente foi a disposição de alguém comprometido em uma relação persuadir seu par a adotar a PrEP como método de prevenção.

O principal estímulo para o uso da PrEP entre casais geralmente se associa ao momento em que estes admitem parceiros casuais fora da relação. No entanto, diversas são as configurações possíveis de relacionamento – desde a monogamia até relação aberta. Os acordos que se estabelecem entre casais definem não apenas a maneira como cada par se comporta sexualmente entre si, como traça limites sobre atividades sexuais extraconjugais.

O artigo leva em conta diferentes combinações entre os casais. A hipótese dos autores foi a de que homens em relações abertas ou aquilo que o chamam de monogamish (quando o sexo com outros é permitido apenas quando os dois parceiros estão presentes) seriam mais abertos a falar sobre a PrEP com seus parceiros. Tal abertura para esta conversa dependeria, é claro, de uma consciência prévia sobre a prevenção de HIV.

Os dados do artigo foram retirados do One Thousand Strong, estudo de coorte com 1071 HSHs ocorrido durante 3 anos nos Estados Unidos. Deste total de voluntários, apenas aqueles com parceiros sexuais fixos e que fossem, eles próprios e seus parceiros, HIV negativo ou desconhecido e sem nunca ter feito a PrEP foram considerados. Seguindo este critério, 409 dos 1071 participantes serviram de dados para a pesquisa. Durante as visitas de rotina aos centros de estudo, voluntários com parceiros sexuais fixos foram perguntados sobre a importância do uso da PrEP pelos parceiros e se levantariam a discussão com seus pares para persuadi-los a usar a PrEP.

Desde número de 409, mais da metade relatou estar em uma relação monogâmica, 10% em uma combinação do tipo monogamish e 37% em uma relação aberta. Cerca de 1/3 relataram ter outros parceiros sexuais casuais. Possuir parceiros casuais foi um dos principais fatores associados a um voluntário considerar falar sobre a PrEP com seu parceiro. Relacionamentos de longa duração ou monogâmicos, por outro lado, se mostraram menos propensos a ter esse tópico de conversa. Homens que usam camisinha mesmo dentro da relação principal também se mostraram menos dispostos a aconselhar a PrEP a seus parceiros. O artigo ressalta ainda que, no geral, a disposição de aconselhar o parceiro a usar a PrEP se encontra diretamente relacionada à vontade própria de fazer a PrEP.

Link para o abstract: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28634660>

[1] Título original: Should I Convince My Partner to Go on Pre-Exposure Prophylaxis (PrEP)? The Role of Personal and Relationship Factors on PrEP-Related Social Control among Gay and Bisexual Men

* Imagem de divulgação do CDC disponível em: https://www.cdc.gov/actagainstaids/pdf/campaigns/starttalking/stsh-poster-talktesting-couple-walking.pdf