“O que me motivou a participar como voluntário do estudo foi, obviamente, o meu envolvimento com o tema da AIDS. Além disto, pesaram o desejo de contribuir com o avanço da ciência e a erradicação do vírus HIV; a experiência enquanto usuário desta nova medicação e o pacote de atenção que a Fiocruz oferecia.”

Júlio Moreira, Diretor Sociocultural do Grupo Arco-Íris relata sua experiência como usuário da PrEP.
Leia mais entre as páginas 18 e 20 desta revista: http://www.giv.org.br/Publica%C3%A7%C3%B5es/Boletim-Vacinas/Boletim-Vacinas-GIV-Edi%C3%A7%C3%A3o29.pdf

 

 

“A PrEP melhorou muito a minha vida sexual e eliminou a preocupação e a ansiedade que eu tinha com o HIV. Eu nunca consegui me adaptar direito a usar camisinha e transo bastante sem camisinha, com vários parceiros. Antes de começar a PrEP eu sentia culpa e medo depois de cada transa sem camisinha. Cada exame de HIV era um suplício. Já cheguei a ficar no telefone com um amigo enquanto aguardava o resultado de um teste para eu poder desabafar e chorar se desse positivo. Outro medo que eu tinha era passar HIV para alguém. Essa ideia me assustava ainda mais do que descobrir que eu tinha HIV.
Hoje não me preocupo mais com HIV. Os exames de HIV são só mais uma rotina, sem suspense e sem medo. Eu já sei que o resultado vai ser sempre negativo. Outro efeito da PrEP é que me sinto mais à vontade para me relacionar com homens soropositivos. Hoje não faz diferença se meus parceiros sexuais são positivos ou negativos, pois sei que estou sempre protegido, aconteça o que acontecer. Sei que eu vou continuar negativo.
Para mim, a PrEP significou liberdade, tranquilidade e paz. É uma maneira de me manter saudável e de manter meus parceiros saudáveis. Estou conseguindo tomar o Truvada todo dia e não tive nenhum efeito colateral. Sou extremamente grato pela PrEP e quero que ela faça parte da minha vida enquanto for necessário. O PrEP Brasil dura só um ano, mas quando acabar pretendo procurar um médico e importar o remédio. Não quero parar de tomar nem por um dia. Não quero voltar para aquela rotina de ansiedade e medo.”

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“Sou da geração 90. Sempre ouço que porque não vimos as mortes dos anos 80 provocadas pela AIDS, não usamos camisinha – daí os altos níveis de incidência de HIV em jovens. Eu nunca achei que eu deveria ter nostalgia de um tempo que não vivi. Eu não quero relembrar a dor dos meus pares, das milhares de mortes que aconteceram no passado. Eu quero que ninguém precise usar a nostalgia para se safar da falta de compreensão da Epidemia no presente. Ela é temporal.
Eu também não quero me previnir do HIV pelo medo. Pelo contrário, quero que ele desapareça do nosso sexo, do nosso desejo e das nossas fantasias. A verdade é que o PrEP me permite fazer o que desejo sem a mesquinha nostalgia da dor, do medo e da morte.”

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“Alteração de rotina diária, apenas na disciplina de tomar todos os dias no mesmo horário, o que até agora (há 1 mês) não foi problema pois nunca perdi uma dose e nem atrasei nunca. Agora sexualmente falando, sou obrigado a dizer e sem falso moralismo, que me senti mais confiante e com menos medo de me relacionar sexualmente. No restante, nada demais, efeitos colaterais até agora ZERO.”

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