Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS): quando ele é obrigatório segundo normas técnicas
A proteção das instalações elétricas contra surtos de tensão é um tema cada vez mais relevante, tanto em ambientes residenciais quanto comerciais e industriais. Equipamentos eletrônicos estão mais sensíveis, interligados e dependentes de energia de qualidade. Nesse cenário, o Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) desempenha um papel essencial para garantir segurança, continuidade operacional e preservação do patrimônio.
Este artigo explica de forma clara o que é o DPS, como ele funciona e, principalmente, quando sua instalação é obrigatória segundo normas técnicas, ajudando você a compreender as exigências legais e técnicas envolvidas.
O que é um Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS)
O DPS é um equipamento projetado para proteger instalações elétricas e equipamentos contra sobretensões transitórias, conhecidas como surtos elétricos. Esses surtos podem ter origem em descargas atmosféricas (raios), manobras na rede elétrica ou falhas em sistemas de distribuição.
Como surgem os surtos elétricos
Os surtos são elevações rápidas e momentâneas da tensão elétrica, que podem atingir milhares de volts em frações de segundo. Mesmo que durem pouco tempo, são suficientes para danificar componentes eletrônicos, causar falhas em sistemas automatizados e até gerar riscos de incêndio.

Função do DPS na instalação elétrica
O DPS atua desviando o excesso de energia para o sistema de aterramento, limitando a tensão que chega aos equipamentos conectados. Dessa forma, ele reduz significativamente o risco de danos elétricos e aumenta a confiabilidade da instalação.
Tipos de DPS e suas aplicações
A correta especificação do DPS depende do nível de proteção necessário e do ponto da instalação onde ele será aplicado.
DPS Classe I
Indicado para instalações com alto risco de descargas atmosféricas diretas, como edificações com Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Esse tipo é capaz de suportar correntes de surto muito elevadas.
DPS Classe II
Utilizado para proteção contra surtos induzidos ou manobras na rede elétrica. É o tipo mais comum em quadros de distribuição de residências, comércios e indústrias.
DPS Classe III
Aplicado próximo aos equipamentos mais sensíveis, oferecendo proteção complementar. Geralmente é instalado em tomadas ou quadros secundários.
Quando o DPS é obrigatório segundo normas técnicas
A obrigatoriedade do DPS não é uma recomendação genérica, mas está claramente definida em normas técnicas vigentes no Brasil, especialmente naquelas que tratam de instalações elétricas de baixa tensão e proteção contra descargas atmosféricas.
Exigência do DPS em novas instalações elétricas
Em novas construções ou reformas significativas, a instalação do DPS é obrigatória sempre que a análise de risco indicar possibilidade de surtos prejudiciais. Essa análise considera fatores como localização da edificação, densidade de descargas atmosféricas da região e tipo de uso da instalação.
Edificações com SPDA
Sempre que uma edificação possuir um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas, a instalação de DPS torna-se obrigatória. Isso ocorre porque o SPDA protege a estrutura contra impactos diretos, mas não impede surtos induzidos nas linhas elétricas internas.
Instalações com equipamentos sensíveis
Ambientes que utilizam equipamentos eletrônicos críticos, como data centers, hospitais, laboratórios, sistemas de automação e telecomunicações, devem obrigatoriamente contar com DPS, mesmo que não haja exigência estrutural direta.
Regiões com alta incidência de raios
Em áreas classificadas com elevada densidade de descargas atmosféricas, a obrigatoriedade do DPS é reforçada, pois o risco de surtos induzidos é significativamente maior.
Normas técnicas que regulamentam o uso do DPS
A obrigatoriedade e a correta aplicação do DPS estão diretamente ligadas às normas técnicas brasileiras.
NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão
Esta norma estabelece que a proteção contra sobretensões transitórias deve ser prevista sempre que houver risco de danos às instalações ou aos equipamentos. Ela define critérios técnicos para seleção, coordenação e instalação do DPS.
NBR 5419 – Proteção contra descargas atmosféricas
A norma que trata do SPDA deixa claro que a proteção externa deve ser complementada por medidas internas, incluindo o uso de DPS, para garantir a segurança completa da edificação.
Responsabilidade técnica e conformidade legal
O não atendimento às normas pode gerar responsabilidades civis e técnicas para projetistas, instaladores e proprietários, especialmente em casos de sinistros ou danos materiais.
Onde o DPS deve ser instalado
A localização correta do DPS é fundamental para sua eficácia.
Quadro geral de distribuição
O ponto mais comum de instalação é o quadro geral, onde a energia entra na edificação. Nesse local, o DPS protege toda a instalação a jusante.
Quadros secundários
Em instalações maiores, é recomendado o uso de DPS adicionais em quadros secundários, garantindo proteção em diferentes níveis da rede elétrica.
Próximo aos equipamentos críticos
Para equipamentos extremamente sensíveis, o uso de DPS Classe III próximo ao ponto de consumo oferece uma camada extra de proteção.
Consequências da ausência do DPS
Ignorar a obrigatoriedade do DPS pode gerar diversos problemas.
Danos a equipamentos
Surtos elétricos são uma das principais causas de queima prematura de equipamentos eletrônicos, resultando em prejuízos financeiros significativos.
Interrupções operacionais
Em ambientes corporativos e industriais, falhas elétricas podem causar paralisações, perda de dados e impacto direto na produtividade.
Riscos à segurança
Em situações extremas, surtos podem provocar aquecimento excessivo de condutores, falhas de isolamento e até incêndios.
Benefícios da instalação correta do DPS
Além de atender às normas técnicas, o DPS traz vantagens práticas.
Aumento da vida útil dos equipamentos
A redução de estresses elétricos prolonga o funcionamento adequado de dispositivos eletrônicos.
Maior confiabilidade da instalação elétrica
Instalações protegidas apresentam menor índice de falhas e maior estabilidade operacional.
Valorização do imóvel
Edificações que seguem normas técnicas atualizadas tendem a ser mais valorizadas e seguras.
Considerações finais
O Dispositivo de Proteção contra Surtos não é apenas um item opcional de segurança, mas um componente essencial em diversas situações previstas por normas técnicas. Sua obrigatoriedade está ligada à análise de risco, à presença de SPDA, ao tipo de instalação e à sensibilidade dos equipamentos utilizados.
Compreender quando o DPS é obrigatório e como ele deve ser aplicado corretamente é fundamental para garantir segurança elétrica, conformidade normativa e proteção do investimento. Em qualquer projeto elétrico, a avaliação técnica e o cumprimento das normas são passos indispensáveis para uma instalação segura e eficiente.
